Encerrado aqui.

Sem mais.

Ando ouvindo

Ouvindo, ouvindo, ouvindo.....

Paulo Moura - Confusão Urbana, Suburbana e Rural
Baden Powell e Paulo César Pinheiro - Os Cantores da Lapinha
Luís Bonfá - O violão no Samba
Baden Powell e Vinicius de Moraes - Afrosambas

A ilha de Cipango
(Augusto dos anjos)

Estou sozinho! A estrada se desdobra
Como uma imensa e rutilante cobra
De epiderme finíssima de areia...
E por essa finíssima epiderme
Eis-me passeando como um grande verme
Que, ao sol, em plena podridão, passeia!

A agonia do sol vai ter começo!
Caio de joelhos, trêmulo... Ofereço
Preces a Deus de amor e de respeito
E o ocaso que nas águas se retrata
Nitidamente reproduz, exata,
A saudade interior que há no meu peito.

Tenho alucinações de toda a sorte...
Impressionado sem cessar com a Morte
E sentindo o que um lázaro não sente,
Em negras nuanças lúgubres e aziagas
Vejo terribilíssimas adagas,
Atravessando os ares bruscamente.

Os olhos volvo para o céu divino
E observo-me pigmeu e pequenino
Através de minúsculos espelhos.
Assim, quem diante duma cordilheira,
Pára, entre assombros, pela vez primeira,
Sente vontade de cair de joelhos!


Soa o rumor fatídico dos ventos,
Anunciando desmoronamentos
De mil lajedos sobre mil lajedos...
E ao longe soam trágicos fracassos
De heróis, partindo e fraturando os braços
Nas pontas escarpadas dos rochedos!

Mas de repente, num enleio doce,
Qual se num sonho arrebatado fosse,
Na ilha encantada de Cipango tombo,
Da qual, no meio, em luz perpétua, brilha
A árvore da perpétua maravilha,
A cuja sombra descansou Colombo!

Foi nessa ilha encantada de Cipango,
Verde, afetando a forma, de um losango,
Rica, ostentando amplo floral risonho,
Que Toscanelli viu seu sonho extinto
E como sucedeu a Afonso Quinto
Foi sobre essa ilha que extingui meu sonho!

Lembro-me bem. Nesse maldito dia
O gênio singular da Fantasia
Convidou-me a sorrir para um passeio.
Iríamos a um país de eternas pazes
Onde em cada deserto há mil oásis
E em cada rocha um cristalino veio.

Gozei numa hora séculos de afagos,
Banhei-me na água de risonhos lagos,
E finalmente me cobri de flores...
Mas veio o vento que a Desgraça espalha
E cobriu-me com o pano da mortalha,
Que estou cosendo para os meus amores!

Desde então para cá fiquei sombrio!
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E a grandes golpes arrancou as raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!

Invoco os Deuses salvadores do erro.
A tarde morre. Passa o seu enterro!...
A luz descreve ziguezagues tortos
Enviando à terra os derradeiros beijos.
Pela estrada feral dois realejos
Estão chorando meus amores mortos!

E a treva ocupa toda a estrada longa...
O Firmamento é uma caverna oblonga
Em cujo fundo a Via-Láctea existe.
E como agora a lua cheia brilha!
Ilha maldita vinte vezes a ilha
Que para todo o sempre me fez triste!

É que as coisas assim, fazem meu mundo.
 
Os sonhos, a poesia.
 
O mundo com suas cores e sons, seus desejos, sorrisos e lágrimas, sua arte, suas pessoas.
 
Ai, quanta paixão....que quase não me cabe. As vezes penso que vou explodir....
 

Primeiro jogo de xícaras da minha futura casinha....

Uhu, como é bom ver as coisas acontecendo!

 

Depois do cansaço, vem a tranquilidade.....e o silêncio.
 
 
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas do rio correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Silêncio

Silêncio.

Da minha voz e dos outros,

é o que eu quero e preciso agora.

Silêncio.

 

Música é cura

 

Pelo menos a minha. Saber que existe é o suficiente para me fazer feliz, quando posso interagir com ela..... melhor ainda.

Não sei bem como isso acontece, mas Baden, Vinicius, Elis e Tom estão aqui, me fazendo companhia. Tocando e cantando para mim, comigo. Estamos todos juntos rindo e chorando, curtindo nossa melancolia no quarto esfumaçado e com várias doses de qualquer coisa em cima da mesa. Entorpecidos por prazer e dor, seres humanos na essência. Eles estão aqui, com sua música.

 

Tava procurando palavras, tentando escrever, em vão.

O Thiago escreveu (www.esclerose.blogger.com.br).

 

"luzes e delírios - aos mais sensíveis, o medo

E os céus se fecham com suas cortinas de nuvens negras enchendo tudo de um tom cinza azulado e, como espasmos luminosos vindos da tela de uma tv absortamente ligada, o show de luzes não cessa - algo vive. O barulho como o rugir de uma besta encurralada, acuada. E o eco, o nada. E novamente a luz.

E algo vive. As luzes e as sombras, ao olhar tudo de fora, sabe-se que ali um dia viveu. Hipnotizado. O conforto anestésico das memórias e almofadas, os variados e coloridos tons de uma mesma lembrança. Tudo ecoa, tudo parece vindo de um abismo onde reside um vazio. Jogado, solto, amargo, enauseante. E o céu estribilha o mesmo tom, a mesma luz.

Eu sinto medo, ela disse. Ele não resistiu e sorriu, olhando atentamente para a janela esperando o próximo barulho. Quando vinha a luz, fechavam os olhos com força, com toda a força que tinham, e sentiam o barulho estremecer seus corpos. Mãos juntas e a sensação de que o próximo poderia ser o último, de que o próximo poderia ser o mais forte, de que talvez não houvesse um próximo. Mas ele viria, as folhas sussurravam as dores a um vento qualquer e sabiam - ele viria.

E se abraçavam a cada ruído e a cada abraço um beijo e a cada beijo a espera de um próximo som. E quando, exausto, o céu descarrega toda a sua fúria e chora, eles já não temem, as mãos se perdem e eles se sentem sozinhos.

Pudera nunca ter chovido."

Thiago Guerrero

...............Saudades...............

 

Sem mais por enquanto

Trilha sonora: Nelson Gonçalves (não meu, do vizinho que tem problemas de audição, ele deve ta com saudade, tb)

 

Vinho quente e Miles Davis pra mim.

Perdidos

 

Ela sentia falta de alguma coisa.

Seria sua sombra? Não, estava lá... não havia se encontrado com o "cara underground" nos últimos dias, ele não poderia ter roubado sua sombra.

A opacidade nos olhos a fez perceber que não lembrava dos seu sonhos. Tudo que lembrava era pouco perto do que podia ser, e ela sabia. Era cinza.

Tinha se perdido deles, de seus sonhos. Um momento de susto, lucidez, ou a falta dela, e começou a procurar.

Eles espalhados pelos cantos, meio zonzos com o cheiro de tinta.

Achou, estavam lá. O quadro estava na parede. Ainda. Sempre.

Ela só havia se esquecido de olhar.

 

Frio
Não sou muito chegada em dias frios, eles são bons pra se namorar, assistir filmes embaixo do cobertor e todas essas baboseiras gostosinhas como tomar um chocolate quente antes de dormir. Mas eles não são bons pra trabalhar logo cedo, e na cidade que não para, pouco importa a temperatura e a chuva, mesmo que fiquemos nós o dobro do tempo de costume no trânsito de algumas avenidas manjadas. O frio traz consigo uma melancolia ao mesmo tempo bela e triste (dã, o que seria melancolia então se não bela e triste?), das árvores sem folhas, dos dias cinzas, das visitas na Pça. da Árvore, do teatro de Felipe Hirch, do trip hop e dos abraços quentes de moletons macios. No frio, além das baboseiras gostosinhas e da melancolia, lembro, muito mais, das pessoas que moram na rua.
Tinha uma joaninha no teto do banheiro
 
 
Ela era assim, vermelha com bolinhas pretas, igual as joaninhas de quando eu era criança, dos livros, dos verdes, do mato.
Joaninhas e vagalumes do mato...da infância,
no meio daquele branco sem graça.
Dizem que dá sorte.
 
Loterias a parte, ao menos um pinguinho de beleza tinha ali.

Quem anda atento ao caminho "chega" o tempo todo.

Thich Nhat Hanh

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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 20 a 25 anos, Arte e cultura, Música

 
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